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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Primavera em Islamabade... e rumo a Myanmar

Nesses últimos dias acrescentei uma atividade ao meu dia-a-dia paquistanês. Comecei a aprender urdu, o idioma nacional do Paquistão e uma das tantas línguas faladas por aqui (basicamente, cada província tem uma língua "nacional" e outras faladas por grupos minoritários). O urdu é muito parecido com o hindi, língua mais falada na Índia, e é escrito em alfabeto árabe modificado, coisa que não estou aprendendo porque aí já seria muito para a minha cabecinha. O objetivo é principalmente conseguir ter algum tipo de conversação em urdu no ambiente de trabalho e quando saio para fazer compras.

É muito interessante aprender uma língua com um estrutura gramatical totalmente diferente das línguas latinas. Não existe pronome por exemplo. A estrutura é simplificada e existem poucos verbos irregulares. A ordem das palavras na sentença é bem diferente. Por exemplo:

A frase saaf panii fridge mein hai significa, literalmente, palavra por palavra, limpa água geladeira dentro está, ou melhor, a água limpa está dentro da geladeira. Como o fridge nessa frase, muitas palavras do inglês foram incorporadas ao urdu (car, pen, computer, etc). Como curiosidade, mesa é mez e camisa é kamiz, provavelmente por influência do árabe. 

Outra aspecto interessante é que o urdu é uma língua muito passiva. Assim, por exemplo, ao invés de dizer algo como "eu estou atrasada", no urdu traduzido literalmente seria "atraso ocorreu à mim", o que não deixa de ser uma maneira fascinante de ver o mundo.

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Minhas aulas de urdu serão, no entanto, interrompidas por duas semanas enquanto farei minha próxima viagem a partir dessa sexta-feira. O meu destino será Myanmar, a antiga Birmânia, também conhecida como Burma, que até 2010 esteve praticamente fechada ao turismo internacional por razões políticas internas. Vou com um grupo e vamos para a capital Rangoon (Yangon), Mandalay, Inle Lake e Bagan, entre outros lugares. Estou super animada, já me disseram coisas maravilhosas sobre o país. Essa foto é de uma das cidades que vou visitar, em Bagan:


terça-feira, 12 de março de 2013

Um casamento à paquistanesa

Um dos aspectos mais intrigantes do Paquistão para mim é a instituição do casamento e suas implicações na vida das famílias paquistanesas. Pela lei islâmica, o casamento é um contrato, chamado nikkah, e celebrado num único dia, mas a influência indiana fez com que as celebrações de casamento no Paquistão durem três ou quatro dias. Não vou listar os nomes de cada celebração aqui pois é grande a possibilidade de errar. Existem diversas tradições diferentes, mas em geral os principais eventos envolvem uma celebração entre as mulheres em que a noiva se despede da sua família e uma celebração entre os familiares do noivo que culmina com o noivo buscando a noiva na casa dela. Basicamente, o casamento na tradição paquistanesa é um contrato em que a família da noiva a entrega para a família do noivo, é um instituto de preservação da espécie e uma celebração da família e dos laços familiares. 

Ontem, fui convidada para participar do almoço que fecha as celebrações do casamento, o walima na tradição islâmica. É o banquete de casamento que ocorre após o nikkah. Foi uma situação um tanto inusitada considerando que se tratava de uma segunda-feira ao meio-dia. Os noivos chegaram com duas horas de atraso, e a maioria dos convidados também. Horário não é exatamente uma coisa que se leve ao pé da letra aqui no Paquistão. Depois da chegada, os noivos sentaram-se para tirar fotos com os convidados, que se revezevam no pequeno palco à frente do salão. Todas as mulheres estavam sentadas de um lado e os homens no outro lado (alguns casamentos têm incluisve uma separação física para que não haja contato entre homens e mulheres). Assim que o almoço terminou, os convidados se levantaram e foram embora. Não houve música ou qualquer outro tipo de celebração. Entre risadas, os paquistaneses me disseram que a maioria dos convidados estava ali para apenas almoçar mesmo e que a tradição era comer e ir embora imediatamente. 

Enquanto tomávamos o tradicional chá pós-refeição, paquistaneses presentes me contaram mais detalhes das festas de casamento. É costume, por exemplo, que a noiva permaneça sem sorrir ou expressar alegria durante as cerimônias, ela não deve sequer levantar os olhos durante as celebrações, em especial quando se despede da família. Após anunciado o noivado, os noivos (que muitas vezes são primos de primeiro grau) devem manter contato mínimo. Eles só poderão estabelecer uma relação mais intíma (e nem estou falando como namorados) após o casamento. Pelo menos hoje em dia eles podem trocar mensagens por celular ou pelo facebook para melhor "se entenderem", me disse uma paquistanesa. Ainda hoje muitos noivos se veem pela primeira vez no dia de casamento. 

Os casamentos arranjados são mais do que comuns por aqui. E ninguém esconde isso. É a costura social tradicional do país. Espera-se que os pais casem suas filhas e filhos, garantindo o futuro da própria família. Essa é a regra inclusive entre as classes mais abastadas, cujos filhos são mandados para estudar nas melhores universidade da Inglaterra e dos Estados Unidos e depois retornam prontos para o casamento. Se um filho ficou "solteirão", a culpa é dos pais. Uma menina de 24 anos, empregada e com diploma universitário, me disse que os pais arrajaram o casamento dela com um primo-irmão que ela conheceu quando era pequena. Ela disse que não queria casar com ele, mas que não havia outra possibilidade. "O que eu posso fazer? Não tem outra pessoa na minha vida", ela me disse...

E o que dizer depois disso? Meu espanto deve ser tão grande quanto o dos paquistaneses ao ouvirem que no Brasil é comum morar junto antes de casar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

De volta à realidade

Então, depois de Istambul, foram duas semanas de casa cheia aqui em Islamabade com meu pai e a minha madrasta. Ficamos um pouco prejudicados pelo tempo (choveu muito no primeiro final de semana em que eles estavam aqui e mal conseguimos sair de casa), mas acho que deu para aproveitar e matar a saudade, mesmo que eu não tenha conseguido acordar às 6h da manhã em nenhum dos dias para tomar chimarrão com o pai... Aliás, o pai ficou particularmente impressionado com as diversas pessoas andando amontoadas numa mesma moto. Eu já estou acostumada com essas cenas de horror (quatro homens adultos numa mesma moto!), mas é realmente chocante ver uma mulher andando na carona da moto, sem se segurar e ainda carregando um bebê! Coisa normalíssima por aqui. Essas mulheres paquistanesas são equilibristas, só pode...

Aqui em Islamabade, fizemos o básico, incluindo a Mesquita Faisal que, embora seja muito bonita, empalidece na comparação com a história das mesquistas turcas. Fomos também a Lahore, onde vimos a famosa cerimônia na fronteira com a Índia e mais uma vez me impressionei com a coisa toda, apesar de ser meio brega e sem sentido, pelo menos é algo muito autêntico e é muito bom ver pessoas felizes, gritando e dançando, batendo palmas. Já imaginaram uma cerimônia assim em Uruguaiana com os argentinos? Ia ser mega divertido!

Nessa foto aqui embaixo estamos nos Jardins de Shalimar, que estavam meio caidinhos, mas valeu a visita. Os jardins foram construídos em Lahore em 1641 e dá para imaginar a beleza que eram no apogeu do Império Mughal (ou mogol).




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Segunda com cara de domingo em Islamabade

Nesse final de semana eu fiz algo que ainda não tinha feito desde que cheguei no Paquistão: dirigir. Eu resolvi me aventurar pelas ruas de Islamabade. Aqui usa-se a mão britânica (como em boa parte da Ásia), mas como o carro é automático, consegui escapar do maior problema que seria trocar de marcha com a mão esquerda. Eu não dirigia desde maio, ainda em Brasília. É o período mais longo que fiquei sem dirigir desde que tirei carteira, nos idos de 2001. Depois de alguns tropeços iniciais (tive dificuldades para ligar o carro, que funciona sem chave, e num determinado momento eu cheguei a ter um pé no acelarador e outro no freio, o que, obviamente, não faz o menor sentido!!!). Mas a boa notícia é que sobrevivi, e o carro também.

Dirigir pelas ruas de Islamabade é relativamente tranquilo, principalmente na comparação com Lahore, mas, como tudo nesses país, as regras escritas não valem muito não. O carro que chegar primeiro no cruzamento passa, os outros esperam, vão aos poucos se intrometendo, até conseguirem passagem também. Mesmo com pouco movimento não é incomum ver um cruzamento com carros parados no meio da pista, em todas as direções. Também são poucos os semáforos e, em geral, mesmo nos cruzamentos com semáforo, os carros que fizerem conversão à esquerda podem passar livremente. Ou seja, tudo é uma questão de negociação, o que, em geral, vale para quase todos os aspectos culturais, políticos e sociais em voga no Paquistão (e talvez no Sul da Ásia?).

Hoje a semana começou parecendo domingo. Em função de uma marcha de um partido político em direção a Islamabade, a cidade praticamente parou. Estou em casa, sem trabalhar. Até os serviços de telefone celular foram desligados (o governo acredita que isso ajuda a conter possíveis atentados terroristas e, por isso, esses cortes acontecem com certa frequência). O acesso a Islamabade está ainda mais restrito, com muitas estradas fechadas. Sumiu gasolina e gás veicular nos postos. Os problemas de energia também continuam: sem gás para cozinhar no horário da janta, sem eletricidade por duas ou três horas todos os dias, sem calefação tarde da noite (quando volta o gás do fogão, acaba o gás da calefação). Pelo menos não tem feito tanto frio à noite (logo depois do Ano Novo, estava fazendo por volta de zero grau de madrugada) e a neblina pela manhã acabou, o que provavelmente significa que minha viagem à Istambul em alguns dias não será afetada!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Caminhada nas montanhas

No sábado, dia 17, fiz um passeio diferente aqui em Islamabade: uma caminhada nas montanhas paquistanesas. O norte do país é extremamente montanhoso e aqui perto de Islamabade já se vê algumas montanhas, como a de Nathiagali, onde estive em julho. Dessa vez, fui até Ghora Gali, que fica a mais ou menos uma hora da capital. Lá, fiz uma caminhada de nada menos que 27 quilômetros em 8 horas. A trilha, no meios das montanhas, passando por diversos vilarejos, era tranquila. O mais difícil mesmo foi andar 8 horas com apenas uma parada de 20 minutos para o almoço.

Mas valeu a pena! O lugar é lindo (o norte do Paquistão, região que pretendo explorar mais no ano que vem, é lindíssimo, com potencial turístico enorme, mas, infelizmente, não explorado por razões de segurança), e a experiência foi muito bacana. Do alto da montanha já dava para ver a província de KPK, uma das quatro que compõem o Paquistão. É na província de KPK que fica o Vale do Swat, onde mora a menina Malala (baleada pelo Talibã). Essa região de Swat é descrita como a Suíça da Ásia, pelos montes cobertos de neve e pela vegetação de pinheiros. Por razões de segurança, no entanto, Swat, em especial, é de difícilimo acesso a estrangeiros.

Em Ghora Gali, fomos muito bem recebidos, em especial pelas crianças, mas vale notar que praticamente não se vê mulheres jovens na rua. O que se vê são crianças com menos de 10 anos, homens de todas as idades e mulheres mais velhas. As mulheres mais novas provavelmente estão relegadas ao domínio da casa.

Achei incrível que mesmo no topo das montanhas o celular funcionou perfeitamente, tanto para chamadas quanto para acesso à internet. Isso deve ter alguma relação com os militares já que essa região é caminho para a Caxemira paquistanesa e os territórios disputados com a Índia. Aí, tanto a infra-estrutura para comunicações quanto as estradas são de boa qualidade.






sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sobre porcos e meninas

A boa notícia dos últimos dias é que está confirmada a vinda do meu pai e da minha madrasta para o Paquistão em fevereiro. Antes disso, no final de janeiro, vamos passar 10 dias em Istambul (estou animadíssima para Istambul!). Conversando com eles, fiquei pensando sobre o que eu gostaria que eles me trouxessem. Uma coisa que eu nunca vi por aqui é meia-calça. Parece estranho, mas acho que faz sentido porque a roupa tradicional das mulheres aqui é composta por uma calça e uma bata, ninguém usa saia. Por incrível que pareça, outra coisa que sinto falta aqui é sal e açúcar de qualidade. Tanto o sal quanto o açúcar são muito grossos e não dissolvem direito. As comidas em geral são apimentadas, mas têm pouco sal. Falando em comida, nada faz mais falta que queijo de qualidade e porco (e acredito que a imensa maioria dos estrangeiros que reside aqui vai dizer a mesma coisa). Eu nunca pensei que fosse sentir tanta falta de carne de porco, mas esse artigo é proibido no país, assim como em outros países islâmicos. O porco é considerado um animal sujo. 

Faz uma falta incrível não ter linguiça, salame, presunto. Uma das poucas coisas que eu trouxe quando voltei de Berlim foi justamente salame e queijo. Aqui tem bons queijos de cabra, mas queijo amarelo não tem, só parmesão. Faz uma falta danada. Vocês não têm ideia da alegria do pessoal quando vamos jantar na casa de alguém que tem um bom queijo e algum produto feito de porco. Portanto, lembrem-se, se vierem ao Paquistão, tragam porco! Precisamos urgentemente de um traficante de porco (ouvi dizer que isso existe no Irã. Sério.). O engraçado é que no Brasil eu não comia muito presunto ou bacon, pois sempre preferi peito de peru. Mas, por alguma razão misteriosa, os produtos feitos com peru são horrorosos por aqui. Pode até ser que sejam saborosos, mas a cara não é nada animadora e por isso até agora achei melhor não experimentar.

Eu estava pensando sobre essas limitações na terça-feira de noite, quando aconteceu algo terrível não muito longe de Islamabade. Uma menina de 14 anos foi baleada por terroristas do Talibã paquistanês, que, orgulhosos da ação, assumiram a responsabilidade do ato. O motivo? A menina é conhecida nacionalmente por ter defendido nos últimos anos o acesso das mulheres à educação por meio de um blog. Os terroristas seguiram a van onde ela estava, perguntaram por ela e atiraram à queima-roupa. Não sei como ela sobreviveu, mas felizmente não corre mais risco de morte, embora siga internada no hospital. Os terroristas ainda disseram que atacarão de novo caso ela sobreviva. Esses grupos dominam o norte do Paquistão, as chamadas zonas tribais, onde o governo do país pouco ou nada tem de soberania. A justiça e o cotidiano são definidos nas jirgas, assembleias de anciãos. Não é muito difícil imaginar que são grupos extremamente conservadores.

Não é fácil viver num país onde meninas de 14 anos são baleadas por quererem ir ao colégio, mas como ainda tenho muito tempo pela frente por aqui... é melhor pensar que limitação mesmo é não ter carne de porco para comer no jantar.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Vida quase normal

Depois do final de semana turbulento, as coisas estão voltando ao normal aqui no Paquistão. O saldo dos protestos contra o tal filme foram 26 mortos, oito cinemas queimados, muitas outras propriedades depredadas, milhões de rúpias paquistanesas jogadas no lixo. Pra coroar o movimento, uma declaração um tanto quanto equivocada do Ministro das Ferrovias, que ofereceu cem mil dólares para quem matasse o diretor do filme controverso...

Polêmicas à parte, a vida está voltando a sua tranquilidade normal, pelo menos em Islamabade, que é a cidade mais segura do país. Aqui, sigo tomando muitos cuidados, mas estou voltando aos restaurantes e hoje dei uma volta no Koshar Market, que é o mercado mais frequentado da cidade pela comunidade internacional. A cidade é um pouco como Brasília, com zonas residênciais e áreas de comércio. O Koshar é  o mercado mais bonitinho, com cafés, restaurantes e mercadinhos que vendem até panetone Banduco e bolacha Negresco.

Outra coisa boa é que a temperatura está muito agradável e pararam as chuvas (a casa agradece, cada chuvarada era uma confusão de água entrando pelas paredes...). Estou conseguindo aproveitar muito mais a casa. Esses dias tomei chimarrão com amigos no terraço. E agora estou aproveitando a vista do escritório e os sons dos passarinhos. Viu, nem tudo é protesto no Paquistão.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Notícias do front... de Islamabade

Primeiro, estou bem!

Hoje vocês provavelmente vão passar o dia ouvindo e lendo sobre os protestos no Paquistão. O dia foi decretado feriado pelo governo paquistanês. Está tudo fechado: comércio, restaurantes, escolas, embaixadas, prédios públicos, etc. Desde a madrugada os serviços de telefone foram cortados, mas a internet está funcionando bem. Estou acompanhando os acontecimentos pela TV e pelos sites. Todas as entradas e saídas de Islamabade foram fechadas e, por isso, os principais prostestos estão acontecendo ao redor da cidade, nas proximidades de Rawalpindi, uma grande cidade que fica ao lado da capital.

Passei o dia em casa (e continuarei o resto do dia em casa), e não vi nada de protestos ou demonstrações. Está tudo muito tranquilo aqui na minha rua. Felizmente, a minha casa e o meu trabalho estão localizados longe de onde ficam os prédios do governo e as embaixadas (red zone e diplomatic enclave). Não ouvi sirenes de polícia, nem carros, nem nada. Só o que me pareceu ser um helicóptero de tempos em tempos e uma chamada para as tradicionais rezas (isso eu ouço todos os dias, várias vezes ao dia). Há relatos de choques entre a polícia e os manifestantes nas próximidades do centro da cidade, em direção ao enclave diplomático (a Embaixada do Brasil não está localizada lá), por isso, todo cuidado é pouco.

Os protestos estão acontecendo em todas as grandes cidades da Paquistão: Karachi, Lahore, Peshawar, Rawalpindi, etc. Pela TV, embora não entenda nada dos notíciários em Urdu, vejo imagens de gente nas ruas, pneus queimados, lojas e placas de trânsito sendo depredadas, bandeiras americanas queimadas e, o que me choca muito, muitas crianças participando das demonstrações. Se a intenção do governo era decretar um feriado para protestos pacíficos, isso com certeza não está acontecendo. 

É muito estranha essa sensação de estar no meio de um acontecimento dessa magnitude, especialmente sendo jornalista de formação e gostar de estar atualizada sobre os principais acontecimentos do mundo. É  ainda mais estranha pelo fato de que onde estou as coisas estão tão tranquilas, parece outro mundo. Mas está tudo bem, então ótimo.

Mantenho vocês atualizados!


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O tempo passa, o tempo voa...

Quais são as medidas do tempo?

Três meses e alguns dias que estou no Paquistão. Parece que faz anos. Hoje faz um mês voei para Berlim. Duas semanas que voltei do Sri Lanka. Em menos de dois meses, estarei no Japão. Brasil, só em junho do ano que vem. Já 45 dias de atraso da encomenda que vai me trazer a minha nova câmera fotográfica (Nikon, já paga...).

Por que o tempo passa tão rápido quando estamos longe de casa? Mas agora a casa é aqui, Islamabade. E mesmo assim, tão rápido, tanta gente que eu conheci nesses três meses. Tanta gente especial e interessante. Não tem ninguém chato por aqui. Tantas histórias, tantas aventuras, tantos restaurantes bizarros, tantas comidas apimentadas. Três países em três meses, além do Paquistão. Mais dois (Tailândia e Japão) em novembro. Ainda não sei o que o final do ano me reserva. Sugestões? Depois Turquia em fevereiro. Estou tagarelando sem rumo, é domingo de noite...

News alert: O tempo anda cada vez melhor em Islamabade. Já dá pra dormir sem ar-condicionado. Não vejo a hora que seja inverno. Vai ser meu primeiro Natal com frio. Daqui há pouco já é 2013...

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Mais umas fotinhos do Sri Lanka, para não desperdiçar o post. 

Um dos pontos altos da viagem foram os hotéis: Kandalama Heritance, em Dambulla, e Galle Fort Hotel, em Galle. Recomendo muito.

O Kandalama. Um quilômetro de um lado a outro, 152 quartos. Totalmente integrado à natureza.

Vista do Kandalama, dá até pra ver um pouquinho da piscina

O Galle Fort Hotel à noite

E de dia. O meu quarto era o último, bem à direita da foto, bem na frente da piscina...


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Matando as saudades de andar na rua


Ontem, dia 14 de agosto, foi feriado aqui no Paquistão. Dia da Independência. Eu aproveitei o feriadão e escapei para Berlim. Foi ótimo. Cheguei lá quinta-feira e fiquei até segunda (cheguei na madrugada de terça em Islamadabe). Percebi que mais do que qualquer outra coisa, eu estava simplesmente com uma saudade enorme de andar na rua e não ser percebida. Ser anônima, mostrando os ombros, as pernas (na verdade, estava meio friozinho, não deu pra mostrar as pernas não...). Saudades de sentar num bar, na rua, tomar uma cerveja, aproveitar o dia, bater um papo, ver homens e mulheres, bicicletas, carros, cachorros. Só isso. Tão simples. Que saudades de não ser exótica...

Antes que me perguntem, é claro que a experiência aqui no Paquistão tem sido ótima. Coisa assim pra vida toda, pra ter muitas histórias, não me arrependo de ter deixado o Brasil para trás. E não só isso, não é só interesse antropológico pelo desconhecido, tem sido divertido mesmo. E apesar dos problemas óbvios do país, da distância e tudo o mais, tem sido uma felicidade. É também, porém, uma das experiências mais confinantes da minha vida. Tenho receio de andar de short e blusa de manga cavada até dentro de casa. O corpo aqui é algo muito escondido. As roupas são feitas quase para aprisionar, para esconder, para reprimir. Não pode mostrar acima dos joelhos, não pode mostrar os ombros, não pode isso, não pode aquilo. Outro dia saí da academia e ainda de roupas justinhas de esportes me dirigi até o carro, cruzando todo o Hotel Serena (onde fica a academia). Foi um atrevimento. Tenho aos poucos tentado me preocupar menos com isso, mas é difícil.

Nunca a minha vida foi tão definida pela religião como nesses quase três meses no Paquistão (não parece bem mais que três meses?). Tudo, mas tudo mesmo, da roupa, da comida, da bebida, do trabalho, do modo de se relacionar com as pessoas, do modo de andar nas ruas, todas as relações são definidas pela religião. A rotina do dia-a-dia é definida pela rotina da religião. Sem entrar no mérito, mas uma reflexão importante. Às vezes eu chego em casa e percebo o guarda rezando no jardim. É outro mundo.

Agora durante o Ramadã, as coisas ficaram um pouco mais tensas. Até saiu matéria no jornal The Guardian sobre batidas da polícia em cafés que vendiam muffins durante o dia. É, muffins. Já imaginaram? Muffins.

A boa notícia é que meu container chegou e com isso as minhas coisas do Brasil. Aparentemente veio tudo inteiro, só ainda não consegui descobrir onde foram parar as minhas calças jeans, que sumiram. Mas ainda restam caixas a serem abertas, há esperança.

Outra coisa boa é que semana que vem estarei novamente na estrada. O destino dessa vez será o Sri Lanka., uma semana, com direito a um dia (compras!) em Dubai. Ou seja, muitas fotos nas próximas semanas.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Monções e terremotos

Semana passada finalmente começaram as monções. Foram duas tempestades de madrugada. Muitos relâmpagos, muito vento e muita chuva. A boa notícia é que a temperatura está bem mais agradável. Na verdade, não sei se as temperaturas caíram ou eu é que já começo a me acostumar. Agora, são quase 20h e eu estou achando super agradável. Temperatura: 37 graus... O ar-condicionado ligado nos 24 graus é frio. O que será que vai acontecer quando começar a ficar frio? Será que vou congelar quando estiver 15 graus? E sim, faz frio aqui. Não custa lembrar que estamos perto do Himalaia...

Outro evento notável ocorreu na quinta-feira. Um terremoto de 6.2 atingiu a região de Islamabade. Senti por alguns segundos a cadeira tremer. Em seguida novos tremores, dessa vez mais fortes e por mais tempo. Confesso que me deu um nervoso, mas no fim, o terremoto mal saiu nos jornais. Acho que o pessoal está mais acostumado com tremores maiores e não deu muita atenção a isso.

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Outra coisa para terminar, finalmente consegui tirar uma foto dos famosos caminhões paquistaneses, um espetáculo a parte nesse país. Eu imagino que 99% dos caminhões e vans paquistaneses são enfeitados desse jeito. É uma obsessão nacional. Até comprei um livro sobre isso, "On Wings of Diesel", escrito por Jamal J. Elias. Bem interessante. O livro mostra como a pintura de caminhões é um símbolo poderoso de identidade nacional em um país complexo e contraditório, que ainda busca uma unidade.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Post de estreia



Paquistão

Oficialmente, República Islâmica do Paquistão. Comecemos pelo começo. Embora de história milenar, o Estado paquistanês moderno foi fundado em 1947, após a independência da Índia Britânica. É o sexto maior do mundo em população, com cerca de 162 milhões de habitantes espalhados por 880 mil km2. É como se quase toda a população brasileira vivesse apenas nos estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O país é dividido em quatro províncias (Baluchistão, Província da Fronteira Noroeste, Punjab e Sind), além do território federal de Islamabade e territórios tribais autônomos. Outras áreas administradas pelos paquistaneses incluem a Caxemira paquistanesa e as áreas do Norte (Gilgit Baltistão). Só para termos de comparação, o salário mínimo no Paquistão é de 90 dólares. O custo de vida é muito baixo.


Islamabade

Foi planejada e construída nos anos 1960 para ser a capital do Paquistão, em território mais longe do litoral. Em vários sentidos, Islamabade é uma cidade similar a Brasília, sendo a cidade administrativa do país enquanto outras cidades desempenham funções mais importantes do ponto de vista econômico e cultural. É arborizada e tranquila, praticamente sem edifícios, só casas. O tráfego funciona muito bem, e as vias são surpreendentemente boas e estão em ótimo estado.

Isabela

Eu nasci em Porto Alegre em 1983. Sou formada em Jornalismo e Letras e me mudei para Brasília a trabalho em 2010. Foram dois anos em Brasília e agora parto para a primeira aventura no Oriente.


Sejam bem-vindos! Aqui espero contar um pouco sobre essa aventura!

Para começar, essa foto ao lado foi tirada na Mesquita Faisal, a maior do Paquistão e uma das maiores no mundo. É imponente e belíssima. Os minaretes são vistos de boa parte da cidade. Fazia uns 35ºC e tive que usar o casaco e cobrir o cabelo. Não é permitido usar calçados. As pessoas ali nos acharam tão exóticas que nos seguiam e queriam tirar fotos nossas.
Foi uma boa maneira de começar a explorar o Paquistão.  

Os primeiros dias aqui estão sendo de muitas aventuras e pouco tempo, mas espero logo ficar mais livre para contar minhas histórias e publicar fotos.