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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mesquita Azul

Embora a Hagia Sophia impressione muito, o prédio que eu mais gostei em Istambul foi a Mesquita Azul, que fica exatamente na frente da Hagia Sophia e foi construída pelos otomanos para rivalizar com a antiga igreja bizantina. Ao contrário do que acontece aqui no Paquistão, a entrada na mesquista é super tranquila, inclusive para mulheres. Eu e a minha madrasta cobrimos o cabelo, mas muitas mulheres estavam sem véu (o que até achei desrespeitoso uma vez que havia sinais dizendo que era necessário usar o véu). Por dentro a mesquita é muito acolhedora. Não é tão imponente e alta quanto a Hagia Sophia, mas impressiona de uma forma diferente.






sábado, 2 de fevereiro de 2013

Istambul em família I

Estou de volta a Islamabade e dessa vez voltei acompanhada: meu pai e a minha madrasta estão aqui. Passamos dez dias na Turquia e foi incrível. Fiquei encantada com Istambul, uma cidade não apenas com uma história incrível (Constantinopla!), mas linda, organizada e muito charmosa. Istambul é uma grande capital européia, sem dúvida. Também fomos à Capadócia, mas vou deixar para postar fotos de lá outro dia. 

Tenho muita coisa para mostrar de Istambul, então pretendo fazer vários posts. Um dos lugares que mais gostei foi a Hagia Sophia, ou Basílica de Santa Sofia (antiga igreja, depois mesquita, hoje museu). É um prédio imenso, não tão imponente por fora (a pintura já está bem fraca), mas incrível por dentro. Foi construída entre 532 e 537... Quase mil anos antes do Brasil ser descoberto. Acho que isso dá um pouco da dimensão das coisas. O hotel onde ficamos ficava a dois minutos da Hagia Sophia (no coração da cidade antiga de Istambul) e do meu quarto era possível ver a cúpula.





sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sobre porcos e meninas

A boa notícia dos últimos dias é que está confirmada a vinda do meu pai e da minha madrasta para o Paquistão em fevereiro. Antes disso, no final de janeiro, vamos passar 10 dias em Istambul (estou animadíssima para Istambul!). Conversando com eles, fiquei pensando sobre o que eu gostaria que eles me trouxessem. Uma coisa que eu nunca vi por aqui é meia-calça. Parece estranho, mas acho que faz sentido porque a roupa tradicional das mulheres aqui é composta por uma calça e uma bata, ninguém usa saia. Por incrível que pareça, outra coisa que sinto falta aqui é sal e açúcar de qualidade. Tanto o sal quanto o açúcar são muito grossos e não dissolvem direito. As comidas em geral são apimentadas, mas têm pouco sal. Falando em comida, nada faz mais falta que queijo de qualidade e porco (e acredito que a imensa maioria dos estrangeiros que reside aqui vai dizer a mesma coisa). Eu nunca pensei que fosse sentir tanta falta de carne de porco, mas esse artigo é proibido no país, assim como em outros países islâmicos. O porco é considerado um animal sujo. 

Faz uma falta incrível não ter linguiça, salame, presunto. Uma das poucas coisas que eu trouxe quando voltei de Berlim foi justamente salame e queijo. Aqui tem bons queijos de cabra, mas queijo amarelo não tem, só parmesão. Faz uma falta danada. Vocês não têm ideia da alegria do pessoal quando vamos jantar na casa de alguém que tem um bom queijo e algum produto feito de porco. Portanto, lembrem-se, se vierem ao Paquistão, tragam porco! Precisamos urgentemente de um traficante de porco (ouvi dizer que isso existe no Irã. Sério.). O engraçado é que no Brasil eu não comia muito presunto ou bacon, pois sempre preferi peito de peru. Mas, por alguma razão misteriosa, os produtos feitos com peru são horrorosos por aqui. Pode até ser que sejam saborosos, mas a cara não é nada animadora e por isso até agora achei melhor não experimentar.

Eu estava pensando sobre essas limitações na terça-feira de noite, quando aconteceu algo terrível não muito longe de Islamabade. Uma menina de 14 anos foi baleada por terroristas do Talibã paquistanês, que, orgulhosos da ação, assumiram a responsabilidade do ato. O motivo? A menina é conhecida nacionalmente por ter defendido nos últimos anos o acesso das mulheres à educação por meio de um blog. Os terroristas seguiram a van onde ela estava, perguntaram por ela e atiraram à queima-roupa. Não sei como ela sobreviveu, mas felizmente não corre mais risco de morte, embora siga internada no hospital. Os terroristas ainda disseram que atacarão de novo caso ela sobreviva. Esses grupos dominam o norte do Paquistão, as chamadas zonas tribais, onde o governo do país pouco ou nada tem de soberania. A justiça e o cotidiano são definidos nas jirgas, assembleias de anciãos. Não é muito difícil imaginar que são grupos extremamente conservadores.

Não é fácil viver num país onde meninas de 14 anos são baleadas por quererem ir ao colégio, mas como ainda tenho muito tempo pela frente por aqui... é melhor pensar que limitação mesmo é não ter carne de porco para comer no jantar.