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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

De volta à realidade

Então, depois de Istambul, foram duas semanas de casa cheia aqui em Islamabade com meu pai e a minha madrasta. Ficamos um pouco prejudicados pelo tempo (choveu muito no primeiro final de semana em que eles estavam aqui e mal conseguimos sair de casa), mas acho que deu para aproveitar e matar a saudade, mesmo que eu não tenha conseguido acordar às 6h da manhã em nenhum dos dias para tomar chimarrão com o pai... Aliás, o pai ficou particularmente impressionado com as diversas pessoas andando amontoadas numa mesma moto. Eu já estou acostumada com essas cenas de horror (quatro homens adultos numa mesma moto!), mas é realmente chocante ver uma mulher andando na carona da moto, sem se segurar e ainda carregando um bebê! Coisa normalíssima por aqui. Essas mulheres paquistanesas são equilibristas, só pode...

Aqui em Islamabade, fizemos o básico, incluindo a Mesquita Faisal que, embora seja muito bonita, empalidece na comparação com a história das mesquistas turcas. Fomos também a Lahore, onde vimos a famosa cerimônia na fronteira com a Índia e mais uma vez me impressionei com a coisa toda, apesar de ser meio brega e sem sentido, pelo menos é algo muito autêntico e é muito bom ver pessoas felizes, gritando e dançando, batendo palmas. Já imaginaram uma cerimônia assim em Uruguaiana com os argentinos? Ia ser mega divertido!

Nessa foto aqui embaixo estamos nos Jardins de Shalimar, que estavam meio caidinhos, mas valeu a visita. Os jardins foram construídos em Lahore em 1641 e dá para imaginar a beleza que eram no apogeu do Império Mughal (ou mogol).




segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Taxila e Feliz Natal

Fazia tempo que eu não atualizava o blog, mas não tinha acontecido nada de muito interessante por aqui. Ontem finalmente eu fui até Taxila, que fica a uns 45 minutos de Islamabade e é um dos sítios arqueólogicos mais importantes do Paquistão. Lá estão vestígios da civilização Gandhara, que há mais de dois mil anos habitou o Vale de Peshawar, entre os rios Cabul e Indo, regiões onde hoje estão as cidades de Peshawar, Islamabade e Rawalpindi. Taxila era um centro budista de grande importância até o século II e é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 1980.

Foi uma experiência muito interessante principalmente pelo bom estado do Museu de Taxila, que contém muitas relíquias budistas, e pelas ruínas das antigas citadelas. Desde a fundação do Paquistão como República Islâmica, em 1956, o passado budista das civilizações que habitaram o Vale do Rio Indo (que, ao contrário do que se possa imaginar, passa pelo coração do território paquistanês, e não pela Índia atual, até desaguar no Oceano Índico) vem sendo sistematicamente deixado de lado na comparação com a cultura islâmica do Império Mughal, que dominou a região que hoje é o Paquistão, a Índia e Bangladesh até a chegada dos britânicos. O Museu de Lahore, por exemplo, que tem uma colegação impressionante de relíquias budistas (incluindo uma famosa estátua do Buda em jejum) estava em estado deprimente quando visitei a cidade em julho deste ano. Apesar da coleção incrível, o museu estava simplesmente jogado às moscas, e esta ainda é  uma das experiências mais tristes que tive desde que cheguei ao Paquistão.

Mas, enfim, Taxila:






Aproveito para desejar um Feliz Natal a todos os leitores do blog!

Volto depois do Natal para contar um pouco como será a minha viagem de Ano Novo a Moscou, que, neste exato momento, registra agradáveis -21C...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Era uma vez... no Paquistão

Olá povo!

Já falei várias vezes aqui no blog sobre a questão da repressão com assuntos envolvendo o corpo (especialmente neste post) no Paquistão, sobre como devemos tapar ombros e pernas, como é difícil andar na rua, essas coisas. Nos últimos meses, o jornal Dawn, um dos mais importantes do país, tem feito uma série de reportagens com fotos antigas do Paquistão. O material é ao mesmo tempo maravilhoso e deprimente e mostra como o país passou por uma radical transformação nas últimas décadas. Vale a pena dar uma olhada.

Also Pakistan

Also Pakistan II

Also Pakistan III

Also Pakistan IV

Fiz aqui uma pequena seleção de fotos:

Menina mostrando os ombros e as pernas em uma moto (1969)... Nunca vi nem verei algo parecido 


Che Guevara em Karachi in 1965


Meninas paquistanesas participando de uma competição de natação (1970). Hoje em dia, imagino que uma cena dessas poderia dar até cadeia


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Ah, quando eu estive em junho em Lahore, mais especificamente na Food Street, eu e meus amigos brasileiros fomos entrevistados por uma apresentadora de TV, na rua, durante um show. A moça ficou tão entusiasmada quando viu que éramos do Brasil que pediu que cantássemos uma música brasileira... Pois é, cantamos Aquarela do Brasil e essa reportagem foi ao ar na TV paquistanesa na quinta-feira passada. Várias pessoas no trabalho me comentaram que me viram na TV! Eu estava no Sri Lanka e não pude ver, mas estou tentando achar o vídeo no youtube para postar aqui. 

Nós, entrevistados em Lahore

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Old Lahore

Ainda sobre Lahore...

Lahore é o coração cultural do Paquistão e tem uma vida urbana muito mais movimentada que Islamabade. A cidade antiga de Lahore, ao lado da Mesquita, é uma experiência etnográfica. São pequenas ruazinhas caindo aos pedaços, com todo o tipo de comércio, moto endiabradas. Quando menos se espera aparece uma cabra ou um burro no meio do caminho. 


Como era domingo, a maioria das lojas estava fechada

Produção do tradicional naan (pão)


Infelizmente, tudo está muito mal preservado na Old Town, o que parece ser uma realidade em todo o país. Acho que seria um lugar belíssimo se estivesse minimamente cuidado. Hoje assemelha-se a uma favela. Chega a ser assustador a quantidade de cabo e conexões para todos os lado...


No final do percurso, encontramos uma mesquita. Fiquei imaginando que a beleza dessa mesquita caso estivesse restaurada. Mais uma vez, chama a atenção a delicadeza dos detalhes da arquitetura islâmica. Infelizmente, de perto, era possível perceber que a pintura já estava perdendo a batalha contra o tempo e a poeira.


O passeio terminou a bordo de um tuk tuk, esses carrinhos muito simpáticos e populares em Lahore. Não é raro ver esses veículos carregando 6 ou 7 passageiros...



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Wagah Border

Talvez o momento mais emocionante do final de semana em Lahore tenha sido presenciar a cerimônia na fronteira entre Índia e Paquistão, a Wagah Border, que fica a cerca de 30km do centro de Lahore. Trata-se do único local em que é possível atravessar a fronteira entre os dois países a pé. A vila de Wagah foi dividida quando da partilha, em 1947. A cerimônia ocorre todos os dias, no entardecer, desde 1959.

Há vários aspectos engraçados a respeito da cerimônia, especial o famoso jeito com que os guardas de ambos os lados marcham, trazendo o pé até a cabeça, além das roupas, que lembram as penas de um pavão. O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi a alegria sincera dos paquistaneses nas arquibancadas. Foi a primeira vez desde que cheguei ao país que vi uma expressão genuína de alegria e orgulho. Não era uma coisa feita para turistas, mas para paquistaneses. Foi emocionante.

Entrada do palco da cerimônia, com a foto de Ali Jinnah, considerado o fundador do Paquistão 


No lado paquistanês, homens e mulheres são divididos entre as arquibancadas. De um lado, as mulheres e seus vestidos coloridos. 


Deu pra ver muitas paquistanesas usando o niqab, essa veste que só não cobre os olhos

No outro lado, os homens.



Os primeiros a chegar são três "cheerleaders", que animam a torcida e puxam cânticos. Interessante foi perceber que eles pediam aos presentes que não cantassem músicas contra Índia, mas sim músicas que enalteciam o Paquistão. Entre os cheerleaders, estava um simpático vovô, muito compenetrado e cheio de orgulho.


Depois chegaram os guardas, até que a fronteira fosse aberta novamente para a retirada das bandeiras.





Os guardas indianos usam uma espécie de chapéu na cor laranja

Interessante que, ao contrário do que ocorre no lado paquistanês, as arquibancadas indianas são cheias de turistas ocidentais.


No fim, as bandeiras são retiradas, e a fronteira é fechada. O povo pode descer das arquibancadas e tirar fotos do portão e dos guardas. Os guardas paquistaneses são altos e bonitões e fazem muito sucessos com as paquistanesas. São verdadeiros ídolos. É claro que quando nós descemos até o portão também viramos celebridades e todos queriam tirar fotos conosco.


Enfim, recomendo muito a cerimônia. Não custou nada e valeu muito a pena.

domingo, 17 de junho de 2012

Mesquita Badshahi

Nesse final de semana fui a Lahore, a segunda maior cidade do Paquistão com cerca de 10 milhões de habitantes. Foi a minha primeira experiência com uma típica metrópole asiática: muita gente, muita poluição, todo o tipo de veículos nas ruas (incluindo motos com nada menos que cinco pessoas), os famosos tuk tuk... Enfim, bem diferente de Islamabade, uma cidade pequena e interiorana na comparação com Lahore. Nos próximos dias pretendo fazer vários posts com as coisas que vi na viagem.

A principal atração da cidade é a Mesquita Badshahi, construída entre 1671 e 1673 pelo Imperador Mughal Aurangzeb. O estilo é o mesmo do Taj Mahal. A Badshahi era a maior mesquita do mundo até ser ultrapassada pela Faisal, que fica aqui em Islamabade.

O prédio é simplesmente fenomenal, tanto dia quanto de noite. A riqueza de detalhes é impressionante. Detalhe: às 23h, fazia 38 graus. De dia, o sol é cruel, temperatura em torno de 45 graus. Chegamos lá pelas 8h da manhã, depois disso seria simplesmente impossível a visitação. Mas, claro, a experiência valeu muito a pena. Acho que pelas fotos dá pra ter uma noção do que é a beleza do lugar.

Não é possível entrar na mesquita usando qualquer tipo de calçado. Em função do calor, são colocados tapetes molhados para os visitantes caminharem. Como sempre acontece por aqui, fomos a atração, mesmo andando de véu o tempo todo. As pessoas nos paravam e pediam para tirar fotos com a gente. Voltarei a esse assunto outro dia...