domingo, 26 de agosto de 2012

Sri Lanka I

Voltei na madrugada passada para Islamabade. Confesso que é meio esquisito voltar pra casa e a casa ser no Paquistão, mas enfim, a viagem para o Sri Lanka foi simplesmente sensancional. Passei por muitos lugares e tenho muitas histórias para contar, então pretendo fazer vários posts sobre tudo que aconteceu. Como dizem os guias de viagem, o Sri Lanka é realmente um lugar vibrante. Não tem palavra mais perfeita para descrever o país. É incrível como um lugar que passou por uma brutal guerra civil durante 26 anos pareça tão bem. A guerra terminou em 2009 (de um lado cingaleses budistas, de outro tâmeis hindus), mas o que eu vi foi um país lindo, cheio de gente muito simpática e carinhosa, lugares incríveis, muita história (muito mais do que eu imaginava), muita diversidade religiosa e cultural. O percurso que fiz, de carro, foi o seguinte:

1. Colombo: A viagem começou na capital Colombo. Me surpreendeu a boa estrutura da cidade, com alguns arranhas-céus (aqui em Islamabade não tem nenhum, por isso o espanto), muitos hotéis de luxo, muitos restaurantes e lojas sofisticadas.

Vista do apartamento onde fiquei a primeira noite no Sri Lanka
2. Pinnewala: Em seguida, partimos em direção ao Hotel Kandalama e no caminho passamos pelo Orfanato de Elefantes (sim, isso mesmo) chamado Pinnewalla, onde curti muitos os elefantinhos e seus pais. Deu pra chegar bem pertinhos dos bichos e o lugar era lindo.



3. Dambulla: Antes de chegar no hotel, passamos pelas Cave Temples, que são exatamente isso: templos budistas em cavernas. Mais um lugar incrível.


4. Sigiriya: Esse foi talvez o lugar que eu mais gostei na viagem toda. São ruínas de um templo (ou um palácio, não se sabe ao certo) provavelmente construídas em torno do século 5 AC em cima de uma rocha. O mais interessante é que não há nenhum caminho natural para chegar lá em cima. Ainda hoje a subida é bem complicada. Na época da construção existiam apenas escadas de bambu...


5. Pollonaruwa: Essa é uma das antigas capitais da civilização cingalesa. Não esperava encontrar ruínas tão incríveis no Sri Lanka.


6. Anuradhapura: Seguindo a trilha das cidades antigas (declaradas Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco), a parada seguinte foi Anuradhapura. Além das ruínas das antigas citadelas (com jardins, templos, piscinas, etc), lá estão duas estupas ou dagobas (partes de monumentos budistas que contêm relíquias sagradas) que quando construídas, nos primeiros séculos depois de Cristo, só não eram mais altas que as pirâmides egípcias. São estruturas monumentais.


No canto direito inferior, é possível ver umas pessoas... Essa lugar é imenso.
7. Kandy: Depois de três noites no Hotel Kandalama visitando as cidades antigas, partimos para a praia de Galle, no sul. Antes, uma rápida passagem por Kandy, também cidade histórica. Lá fica o Templo da Relíquia do Dente, um dos lugares mais sagrados na cultura budista, pois lá está guardado um dente do Buda. Não é possível ver o dente (que fica dentro de uma série de caixas no estilo boneca russa), mas o templo é belíssimo e estava lotado.


8. Galle: Cidade linda! Os portugueses desembarcaram aqui em 1505 e começaram a construção de um forte, depois melhorado por holandeses (que colonizaram o Sri Lanka por cerca de 150 anos, até 1796) e ingleses. Aqui tive o prazer de tomar banho de mar no Índico, na praia paradisíaca de Unawatuna, que foi devastada pelo tsunami de 2004. 


9. Dubai: Na volta para o Paquistão, passei um dia em Dubai. Foi ótimo para fazer compras (meu guarda-roupa agradece) e apesar da loucura do lugar e dos problemas enfrentados com a Emirates (que deveria ter providenciado um hotel para passarmos a noite e não fez, tivemos que pagar do próprio bolso), foi uma experiência muito positiva. 

No topo do prédio mais alto do mundo, o Bujr Khalifa

Por enquanto era isso! Mas pretendo escrever mais detalhadamente sobre cada um dos lugares, então, voltem logo! :)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Matando as saudades de andar na rua


Ontem, dia 14 de agosto, foi feriado aqui no Paquistão. Dia da Independência. Eu aproveitei o feriadão e escapei para Berlim. Foi ótimo. Cheguei lá quinta-feira e fiquei até segunda (cheguei na madrugada de terça em Islamadabe). Percebi que mais do que qualquer outra coisa, eu estava simplesmente com uma saudade enorme de andar na rua e não ser percebida. Ser anônima, mostrando os ombros, as pernas (na verdade, estava meio friozinho, não deu pra mostrar as pernas não...). Saudades de sentar num bar, na rua, tomar uma cerveja, aproveitar o dia, bater um papo, ver homens e mulheres, bicicletas, carros, cachorros. Só isso. Tão simples. Que saudades de não ser exótica...

Antes que me perguntem, é claro que a experiência aqui no Paquistão tem sido ótima. Coisa assim pra vida toda, pra ter muitas histórias, não me arrependo de ter deixado o Brasil para trás. E não só isso, não é só interesse antropológico pelo desconhecido, tem sido divertido mesmo. E apesar dos problemas óbvios do país, da distância e tudo o mais, tem sido uma felicidade. É também, porém, uma das experiências mais confinantes da minha vida. Tenho receio de andar de short e blusa de manga cavada até dentro de casa. O corpo aqui é algo muito escondido. As roupas são feitas quase para aprisionar, para esconder, para reprimir. Não pode mostrar acima dos joelhos, não pode mostrar os ombros, não pode isso, não pode aquilo. Outro dia saí da academia e ainda de roupas justinhas de esportes me dirigi até o carro, cruzando todo o Hotel Serena (onde fica a academia). Foi um atrevimento. Tenho aos poucos tentado me preocupar menos com isso, mas é difícil.

Nunca a minha vida foi tão definida pela religião como nesses quase três meses no Paquistão (não parece bem mais que três meses?). Tudo, mas tudo mesmo, da roupa, da comida, da bebida, do trabalho, do modo de se relacionar com as pessoas, do modo de andar nas ruas, todas as relações são definidas pela religião. A rotina do dia-a-dia é definida pela rotina da religião. Sem entrar no mérito, mas uma reflexão importante. Às vezes eu chego em casa e percebo o guarda rezando no jardim. É outro mundo.

Agora durante o Ramadã, as coisas ficaram um pouco mais tensas. Até saiu matéria no jornal The Guardian sobre batidas da polícia em cafés que vendiam muffins durante o dia. É, muffins. Já imaginaram? Muffins.

A boa notícia é que meu container chegou e com isso as minhas coisas do Brasil. Aparentemente veio tudo inteiro, só ainda não consegui descobrir onde foram parar as minhas calças jeans, que sumiram. Mas ainda restam caixas a serem abertas, há esperança.

Outra coisa boa é que semana que vem estarei novamente na estrada. O destino dessa vez será o Sri Lanka., uma semana, com direito a um dia (compras!) em Dubai. Ou seja, muitas fotos nas próximas semanas.

sábado, 4 de agosto de 2012

Levantamento de peso ou tiro?


Confesso que tem sido frustrante assistir às Olimpíadas aqui no Paquistão. Vocês sabem que eu adoro esporte e por mim poderia tirar férias durante os Jogos só pra ficar na frente da TV vendo tudo. Os horários aqui são perfeitos. As principais competições começam por volta das 16h, 17h e um pouco depois disso eu chego em casa. Já as transmissões...

São três canais aqui passando a Olimpíada: o StarSports (que é um canal indiano), a ESPN (que não consegui descobrir se é da Índia ou da Ásia como um todo) e o PTV Sports (que é o canal paquistanês). A única competição que consegui assistir inteira foi a natação. Em geral, os esportes escolhidos para transmissão são badminton, tênis de mesa, levantamento de peso (é uma obsessão com esse esporte...), hockey (esse faz sentido, juntos Paquistão e Índia já levaram 11 ouros nesse esporte), saltos ornamentais, tiro esportivo (!) e ciclismo. Até agora não vi nenhum jogo de vôlei passando na TV. De basquete, só o glorioso China x Angola. Tudo bem, não esperava conseguir acompanhar os atletas brasileiros porque não faz sentido as TVs daqui acompanharem esses atletas, mas qual o sentido de interromper a transmissão de um jogo de futebol do Brasil para passar saltos ornamentais sem nenhum paquistanês ou indiano competindo?

Outra coisa engraçada que percebi  é que nem mesmo os comentaristas são avisados dos intervalos comerciais. O cara está no meio do comentário e de repente bum! Comercial... No PTV Sports, bem no meio da tela (não é no canto superior ou inferior) passa uma faixa dizendo “transmissão ao vivo e exclusiva” e essa faixa fica passando e passando bem no meio de tudo...

Curiosidade: O Paquistão não conquista uma única medalha em Jogos Olímpicos desde 1992.

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De bônus,aqui vai uma fotinho do final de semana passado, eu preparando um chimas pra galera estrangeira. Foi o maior sucesso!


terça-feira, 31 de julho de 2012

Findi em Nathiagali

Para mudar um pouco de ares, passei o último final de semana em Nathiagali, uma região montanhosa que fica a cerca de 2h30 de carro de Islamabade. São mais de 2 mil metros de altitude. A paisagem é belíssima e deu até para aproveitar um friozinho à noite. Foi a primeira noite, em dois meses desde que cheguei ao Paquistão, que pude dormir sem ar-condicionado ligado. A diferença entre Islamabade e Nathiagali era de cerca de 20 graus celsius. Realmente um paraíso. O hotel não era dos melhores, mas deu para aproveitar muito. No final, ainda apresentei o chimarrão para vários estrangeiros (eles gostaram!) e um argentino ficou responsável pelo churrasco.

No inverno, as montanhas de Nathiagali ficam completamente cobertas de neve.

Vista do meu quarto

Borboletas não faltavam no alto da montanha

O hotel foi construído pelos ingleses, no século 19

Nós em momento muito turístico com um tradicional caminhão paquistanês

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ramadã e Sri Lanka


Hoje começa o Ramadã nos países muçulmanos. O período do Ramadã muda todo ano de acordo com o calendário lunar. Nos próximos 29 ou 30 dias os fiéis muçulmanos farão jejum durante o dia num processo de renovação da fé. Não podem sequer tomar água enquanto o sol estiver brilhando. Como ainda é verão aqui no Paquistão, os paquitaneses terão de ficar sem ingerir alimentos e bebidas por mais de 14 horas, entre 5h da manhã até as 7h30 da noite. O jejum é obrigatório para todos os muçulmanos, a partir da puberdade.

A rotina será a seguinte: come-se antes do sol nascer (aqui, pelas 3h30 da manhã) uma pequena refeição chamada de Su-Hoor. Quando anoitecer, por volta das 19h30-20h, é a vez do Iftar, uma refeição comunitária ao lado de amigos e familiares. Durante o dia, a maioria dos restaurantes e cafés estará fechada. Os muçulmanos se recolherão em suas casas. As programações culturais e sociais serão diminuídas.

Ao final do Ramadã, é a vez do Eid ul-Fitr, um grande almoço em família. Será a primeira refeição durante o dia em quase um mês. Aqui no Paquistão, o Eid será celebrado com um feriadão de cinco dias (final de semana + 20, 21 e 22 de Agosto).

Sri Lanka

É justamente nesse feriadão que partirei para minha primeira viagem internacional desde que cheguei a Islamabade. O destino será o Sri Lanka. A viagem já está praticamente toda acertada. Viajo de Emirates, rumo a Dubai, depois a Colombo, capital do Sri Lanka. Passarei uma noite em Colombo e depois sigo para Dambulla, onde ficarei três noites hospedada neste hotel, o Kandalama:

From:  http://www.heritancehotels.com/kandalama/


A ideia é visitar lugares como o Dambulla Cave Temple, um templo que, como o nome diz, é incrustrado em uma caverna. Assim como este lugar, o Sri Lanka é cheio de sítios considerados patrimônio da humanidade pela Unesco.

Fonte:  http://www.thetripbag.com/thingstosee.php?seeid=53


Depois de Dambulla, sigo para Galle, uma cidade-praia onde os portugueses construíram um forte em 1588, mais tarde ampliado pelos holandeses.

Na volta, uma dia inteiro para compras em Dubai...

Acho que vai ser interessante, não? :D

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Monções e terremotos

Semana passada finalmente começaram as monções. Foram duas tempestades de madrugada. Muitos relâmpagos, muito vento e muita chuva. A boa notícia é que a temperatura está bem mais agradável. Na verdade, não sei se as temperaturas caíram ou eu é que já começo a me acostumar. Agora, são quase 20h e eu estou achando super agradável. Temperatura: 37 graus... O ar-condicionado ligado nos 24 graus é frio. O que será que vai acontecer quando começar a ficar frio? Será que vou congelar quando estiver 15 graus? E sim, faz frio aqui. Não custa lembrar que estamos perto do Himalaia...

Outro evento notável ocorreu na quinta-feira. Um terremoto de 6.2 atingiu a região de Islamabade. Senti por alguns segundos a cadeira tremer. Em seguida novos tremores, dessa vez mais fortes e por mais tempo. Confesso que me deu um nervoso, mas no fim, o terremoto mal saiu nos jornais. Acho que o pessoal está mais acostumado com tremores maiores e não deu muita atenção a isso.

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Outra coisa para terminar, finalmente consegui tirar uma foto dos famosos caminhões paquistaneses, um espetáculo a parte nesse país. Eu imagino que 99% dos caminhões e vans paquistaneses são enfeitados desse jeito. É uma obsessão nacional. Até comprei um livro sobre isso, "On Wings of Diesel", escrito por Jamal J. Elias. Bem interessante. O livro mostra como a pintura de caminhões é um símbolo poderoso de identidade nacional em um país complexo e contraditório, que ainda busca uma unidade.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Old Lahore

Ainda sobre Lahore...

Lahore é o coração cultural do Paquistão e tem uma vida urbana muito mais movimentada que Islamabade. A cidade antiga de Lahore, ao lado da Mesquita, é uma experiência etnográfica. São pequenas ruazinhas caindo aos pedaços, com todo o tipo de comércio, moto endiabradas. Quando menos se espera aparece uma cabra ou um burro no meio do caminho. 


Como era domingo, a maioria das lojas estava fechada

Produção do tradicional naan (pão)


Infelizmente, tudo está muito mal preservado na Old Town, o que parece ser uma realidade em todo o país. Acho que seria um lugar belíssimo se estivesse minimamente cuidado. Hoje assemelha-se a uma favela. Chega a ser assustador a quantidade de cabo e conexões para todos os lado...


No final do percurso, encontramos uma mesquita. Fiquei imaginando que a beleza dessa mesquita caso estivesse restaurada. Mais uma vez, chama a atenção a delicadeza dos detalhes da arquitetura islâmica. Infelizmente, de perto, era possível perceber que a pintura já estava perdendo a batalha contra o tempo e a poeira.


O passeio terminou a bordo de um tuk tuk, esses carrinhos muito simpáticos e populares em Lahore. Não é raro ver esses veículos carregando 6 ou 7 passageiros...